Relatório de Experiência e Aderência
Como a análise de aderência pode apoiar a negociação das tarifas de um clube de seguros de vida.
Neste estudo
O desafio do clube de seguros
Estudo de Caso · Seguro de Vida em Grupo
Viver mais permite pagar menos?
Uma corretora que administra um clube de seguros deseja negociar com a seguradora uma tarifa mais competitiva para seus associados. A hipótese inicial é que a maior sobrevivência possa reduzir o custo da cobertura por morte e ampliar os descontos.
Este Estudo de Caso analisa a experiência de mortalidade da carteira, sua aderência à tábua de referência e as perspectivas de evolução. A comparação entre as tarifas calculadas e vigentes identifica o espaço potencial para negociação de descontos.
| Pergunta de negócio | Resultado do estudo |
|---|---|
| Há espaço frente à tarifa vigente? | Sim, no comparativo do case: redução comercial potencial entre 19,99% e 31,96% por faixa, sem melhora futura. |
| Há melhora temporal comprovada? | Não: a tendência estimada não indica queda estatisticamente demonstrada. |
| Qual é o efeito médio indicativo? | 25,86% de redução, ponderada pela exposição sintética; não representa economia financeira da carteira real. |
734 óbitos observados | 606,26 esperados | A/E = 121,07%
Natureza dos números
Estudo desenvolvido no sistema AExp Aderência, da Atuariale, com carteira sintética e premissas explicitadas neste relatório. Os resultados ilustram a aplicação da metodologia e não representam uma carteira real ou uma tarifa aprovada para implantação.
A tarifa vigente informada pelo cliente foi incorporada ao comparativo. Adota-se base anual em ambas as tabelas e cobertura equivalente por morte; essa compatibilidade deve ser confirmada no contrato.
Como a análise foi construída
Dados, exposição ao risco e critério de comparação
| Elemento | Base e premissas do estudo |
|---|---|
| Identificação e data-base | CLUBE EMPRESA SEGUROS; Vida em Grupo; data-base Jan/2026. |
| Carteira e período | 15.000 vidas geradas; semente 42; período de experiência de 2015 a 2024. |
| Exposição efetiva | 67.180,25 anos-pessoa, observados de 2015 a 2024. |
| Premissas do gerador | Nível 0,82; inclinação etária 0,70; grupo B/A 1,30; caducidade 4%; efeito capital 0,15; seleção inicial zero. |
| Mortalidade e preço | Variação anual gerada: 0%; projeção desligada; margem 5%; carregamento 25%; piso 0,50 e teto 2,00. |
| Credibilidade e agrupamento | Probabilidade 90%, tolerância ±5%; faixas de 5 anos, reunidas até mínimo de 5 óbitos esperados. |
| Referência | Gompertz-Makeham sintética, com idades de 0 a 110 anos, utilizada como referência neste Estudo de Caso. |
A conta central
Óbitos esperados: E = soma da exposição por idade e sexo × força de mortalidade. No modelo, a força é calculada por μ = -ln(1 - q). Depois, A/E compara os óbitos observados com os esperados.
Por que 0,82 no gerador não significa mortalidade 18% menor?
O nível inicial é combinado com idade, grupo e capital segurado. O resultado agregado depende de toda essa composição. Não é correto interpretar um parâmetro isolado como desconto ou A/E final.
Controles para uma aplicação real
Conferir entradas, saídas, datas de óbito, duplicidades, capitais e cobertura da tábua. Examinar atraso de comunicação dos óbitos e rupturas no período. Repetir a avaliação por vidas e por valores segurados.
O que a experiência mostra
Mortalidade observada superior à referência, sobretudo nas idades maiores
A/E agregado: 121,07%. Intervalo exato de Poisson de 95%: 112,47% a 130,15%. O intervalo fica inteiramente acima de 100%, sob as hipóteses do modelo.
A tendência anual estimada do A/E é +2,33%, com p = 0,155 e intervalo de 95% entre -0,87% e +5,63% a.a. Não há evidência estatística de redução. Isso não prova estabilidade futura nem aumento definitivo.
A idade média ao falecer, isoladamente, não comprova melhora de sobrevivência: ela pode aumentar pelo envelhecimento do grupo. O A/E ajuda a controlar idade e sexo, mas mudanças de seleção, grupo e capital ainda exigem investigação.
Da mortalidade ao custo
Credibilidade, margem e composição etária
Como o sistema transforma experiência em preço
Por faixa: fator de credibilidade = Z × A/E + (1 - Z). Em seguida, o sistema aplica projeção, margem e limites. Neste case, Z = mínimo entre 1 e raiz de A/1.082,22; projeção = 1 e margem = 5%.
| Indicador da carteira | Resultado anual |
|---|---|
| Taxa técnica de referência por exposição | 9,0244 por mil |
| Taxa técnica selecionada, por faixas | 10,1900 por mil |
| Variação frente à referência | +12,92% |
| Equivalente comercial: referência / selecionado | 12,0326 / 13,5866 por mil (carregamento 25%) |
Interpretação para o clube
O custo selecionado é 12,92% superior ao da tábua de referência, mas permanece abaixo da tarifa vigente informada em todas as faixas. Há espaço potencial de redução frente ao preço atual, conforme o comparativo das seções de comparação tarifária.
As taxas por faixa e as médias são equivalentes por exposição, calculadas com μ. A cotação individual usa capital × q × fator. A definição do preço final exige considerar os capitais segurados e a composição efetiva da carteira.
E se a mortalidade melhorar?
Sensibilidades de mortalidade | Não são previsões estimadas para o clube
Para isolar a perspectiva, mantêm-se composição etária, capitais, carregamento e margem. Uma melhora de g ao ano multiplica o custo selecionado por (1 - g) elevado ao horizonte. O gráfico acima ilustra a acumulação; a comparação abaixo usa apenas um ano.
Sem melhora futura, a taxa comercial média por exposição passa de 18,33‰ vigente para 13,59‰ calculada: redução indicativa de 25,86%. Com melhora hipotética de 1%, 2% ou 5% em um ano, essa redução seria de 26,61%, 27,35% ou 29,57%, respectivamente.
Na aplicação real, envelhecimento, novas adesões, saídas e alteração de capitais devem ser projetados separadamente. A melhora de mortalidade em uma idade não garante redução do custo total do grupo.
O código projeta apenas quedas do A/E; tendência de alta retorna fator 1. Esse mecanismo é uma opção de melhora, não um modelo completo de risco futuro. Uma avaliação prospectiva deve incluir deterioração e choques.
Tarifa vigente e calculada
Comparação por faixa | Cobertura por morte | Taxas em por mil ao ano
Espaço potencial de redução sem melhora futura
Tarifas vigentes fornecidas pelo cliente. Tarifas calculadas pelo AExp Aderência sobre a carteira sintética, com credibilidade por faixa, margem de 5% e carregamento de 25%.
| Faixa | Pura vigente | Comercial vigente | Pura calculada | Comercial calculada | Redução comercial |
|---|---|---|---|---|---|
| 20-44 | 2,12 | 2,83 | 1,57 | 2,10 | 25,84% |
| 45-49 | 3,33 | 4,44 | 2,66 | 3,55 | 20,06% |
| 50-54 | 5,91 | 7,88 | 4,02 | 5,36 | 31,96% |
| 55-59 | 9,36 | 12,48 | 6,41 | 8,55 | 31,48% |
| 60-64 | 14,67 | 19,56 | 10,12 | 13,49 | 31,02% |
| 65-69 | 23,59 | 31,45 | 17,47 | 23,30 | 25,93% |
| 70-74 | 35,46 | 47,27 | 28,36 | 37,82 | 19,99% |
| 75-79 | 54,85 | 73,14 | 43,88 | 58,51 | 20,00% |
| 80-89 | 93,59 | 124,78 | 69,32 | 92,43 | 25,92% |
Como o desconto foi apurado
Redução comercial = 1 - (tarifa comercial calculada / tarifa comercial vigente). Os percentuais usam os resultados calculados antes do arredondamento; as tarifas são apresentadas com duas casas decimais.
Premissa de comparabilidade
A periodicidade da tabela recebida não foi especificada. Para este case, ela foi tratada como anual, na mesma base do modelo. A aplicação comercial exige confirmar periodicidade, cobertura, capital e base de incidência equivalentes.
A comparação é com a tarifa vigente. A tábua de referência permanece como base dos testes de aderência e não se confunde com a tarifa cobrada.
Quanto pode mudar a tarifa?
Resultado por faixa e indicador médio ponderado pela exposição
| Indicador comercial por exposição | Resultado |
|---|---|
| Tarifa média vigente / calculada | 18,33‰ / 13,59‰ |
| Redução média indicativa | 25,86% |
| Faixa de descontos por idade | 19,99% a 31,96% |
Método: média = soma de tarifa da faixa × exposição da faixa, dividida pela exposição total. São usados os mesmos pesos nos dois preços. O desconto médio é 1 - (média calculada / média vigente), não a média simples dos descontos.
Esse indicador usa anos-pessoa da simulação. A economia financeira deve ser apurada com exposição ponderada pelos capitais segurados da carteira real, além dos demais componentes contratuais.
Telas dos testes de aderência
AExp Aderência | Capturas da execução com a mesma carteira do estudo
Como interpretar o parecer
Os dois testes principais rejeitam a aderência à tábua de referência, ao nível de 5%: A/E global = 121,1% e qui-quadrado de Pearson = 57,34 (9 graus de liberdade), ambos com p < 0,001. A evidência indica diferenças no nível e na distribuição etária da mortalidade.
Resíduos por faixa
As barras vermelhas identificam desvios além de ±1,96. As quatro faixas a partir de 65 anos apresentam excesso de óbitos frente ao esperado.
Os testes complementares ajudam a localizar o desvio. Alguns deixam de rejeitar após Holm; a coluna Resultado da tela usa o valor-p individual, conforme a configuração do sistema.
Leitura conjunta: não aderência não equivale automaticamente a uma taxa comercial. A seleção da tábua e do ajuste exige considerar qualidade da base, credibilidade e finalidade de uso.
Tábua de referência e ajuste
AExp Aderência | Comparativo de qx e fatores de credibilidade
Linhas contínuas: referência. Linhas tracejadas: qx ajustado pela experiência credibilizada. O eixo vertical usa escala logarítmica para permitir a comparação entre idades.
O que o ajuste mostra
Ajuste por faixa: qx ajustado = qx de referência × [Z × A/E + (1 - Z)]. O peso Z depende da quantidade de óbitos da faixa.
Nas faixas de 20 a 54 anos, os fatores ficam abaixo de 100% (99,3%, 96,4% e 97,0%). A baixa credibilidade limita o tamanho da redução.
A partir de 65 anos, os fatores ficam entre 111,2% e 115,6%. Nessas faixas, a experiência credibilizada eleva a probabilidade de morte da referência.
Ajuste da tábua e preço
Esta tela aplica experiência e credibilidade. Os fatores de preço da seção Da mortalidade ao custo incluem adicionalmente margem de 5% e os limites escolhidos; por isso os percentuais diferem.
Nas idades sem faixa estimada, o sistema mantém fator 100%. Isso não constitui validação da tábua nessas idades.
Experiência e aderência
Estudo de Caso | Segmentação e cenários de preço
Síntese dos resultados do estudo
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Mortalidade e exposição | 734 óbitos; 606,26 esperados; 67.180,25 anos-pessoa; A/E 121,07%. |
| Precificação selecionada | 10,190‰ de taxa pura e 13,587‰ comercial; sem projeção de melhora, margem 5%, carregamento 25%. |
| Comparativo com a vigente | As tarifas comerciais calculadas ficam de 19,99% a 31,96% abaixo das vigentes, com redução média indicativa de 25,86% por exposição. |
Como interpretar a segmentação
| Segmento | Evidência e implicação |
|---|---|
| Sexo | A/E: masculino 121,5%; feminino 120,3%; p = 0,9032. Não há evidência de diferença no fator relativo à respectiva tábua. Isso não implica igualdade de tarifas absolutas entre sexos. |
| Grupo | A/E: grupo A 108,8%; grupo B 134,2%; p = 0,0046. Investigar os perfis e avaliar diferenciação, controlando composição, capital e seleção. |
| Capital segurado | Heterogeneidade p < 0,001. A/E de 149,3% no menor quintil a 96,1% no maior; credibilidade parcial exige cautela. A comparação por vidas não substitui a análise por capitais. |
Cenários de precificação
Sem margem de segurança, o cenário central credibilizado resulta em 12,940‰ comercial; o prudente, em 13,902‰. O selecionado (13,587‰) inclui margem de 5% sobre sua base central. O prudente é uma alternativa de hipótese, não uma garantia de suficiência.
Período e acompanhamento
O período de experiência é de 2015 a 2024, com data-base em Jan/2026. O acompanhamento periódico da mortalidade, dos capitais e da composição do grupo permite reavaliar os fatores e as condições de negociação ao longo do tempo.
Conclusão e decisão do cliente
A experiência define o espaço de negociação
Conclusão do case
A comparação com a tarifa vigente informada identifica espaço potencial de redução comercial entre 19,99% e 31,96% por faixa. Ponderada pela exposição da carteira sintética, a diferença indicativa é de 25,86%, mantendo margem de 5%, carregamento de 25% e sem melhora futura de mortalidade.
A oportunidade decorre da diferença entre o preço vigente e o custo calculado, e não de evidência de maior sobrevivência. A mortalidade observada supera a da tábua e não apresenta queda temporal significativa. A redução é uma referência de negociação deste case, sujeita à validação com a base real e as condições contratuais.
| Etapa de decisão | Encaminhamento |
|---|---|
| 1. Substituir a base demonstrativa | Importar histórico real e tábua efetivamente utilizada; validar óbitos e exposição. |
| 2. Validar a tarifa recebida | Confirmar periodicidade anual, cobertura, capitais, base de incidência e os componentes do preço. |
| 3. Avaliar o risco financeiro | Confrontar resultados por vidas e por capitais, sem transpor automaticamente fatores de frequência para valores. |
| 4. Testar perspectivas | Estimar tendência, verificar estabilidade e efeitos de composição; incluir melhora, estabilidade e deterioração. |
| 5. Definir condições | Negociar com a seguradora eventual redução tecnicamente sustentada e monitorar a experiência. |
Memória técnica e fontes
Sistema da Atuariale: AExp Aderência.